Revelado no Vasco, o meia de 26 anos, que atuava no Shakhtar Donetsk, chegou a ser alvo no Liverpool, mas acabou assinando um contrato de cinco anos com o Jiangsu Suning, que desembolsou nada menos de 50 milhões de euros para tirá-lo do time ucraniano.
O montante astronômico supera o recorde anterior, estabelecido há apenas dois anos, com a transferência do atacante colombiano do Atlético de Madrid Jackson Martínez ao Ghangzhou Evergrande, por 42 milhões de euros.
Com esta operação, os clubes da Superliga chinesa gastaram até agora 258,9 milhões de euros, quando ainda restam várias semanas para o encerramento da janela de transferência do futebol chinês, em 26 de fevereiro, segundo o site especializado Transfermarkt.
As equipes da primeira divisão inglesa desembolsaram 247,3 milhões de euros na janela europeia, que encerrou nesta semana.
'Mais longe da seleção'
"Todo mundo sempre soube que eu queria ficar na Europa e ir para um clube do Campeonato Inglês. Mas, infelizmente, todas as propostas que surgiram deles eram meio "no ar", nunca viveram com proposta em concreto. Agora recebi uma proposta séria da China. É claro que vou para lá", afirmou o brasileiro em declarações publicadas no site do Shakhtar.
Alex Teixeira também admitiu que a escolha de carreira o deixa "mais longe da seleção brasileira".
"Tudo aconteceu muito rápido, literalmente num abrir e fechar de olhos (...) Eu imediatamente me perguntei se isso seria bom para mim, para a minha família, para o clube, e tomei então a decisão apropriada", relatou.
Em seu anúncio nas redes sociais, o Jiangsu Suning apresentou o brasileiro como um jogador capaz de "atuar em qualquer posição".
Esta flexibilidade, acrescentou o clube, permite que Alex Teixeira mude de posição de acordo com o rival a ser enfrentado, dando à equipe "mais opções no ataque".
O meia marcou 89 gols em 223 partidas disputadas com o Shakhtar Donetsk, uma equipe com a qual venceu na Ucrânia cinco ligas, três copas e cinco supercopas.
"Alex Teixeira era um dos atletas mais cobiçados da janela de transferências", ressaltou à AFP David Hornby, gerente de esportes de Mailman, empresa de marketing baseada em Xangai.
"O fato de um clube chinês poder vencer a disputa com times europeus pela contratação de um jogador como ele é um sinal claro de que a Superliga Chinesa tem a ambição de ser tornar um dos cinco maiores campeonatos do planeta", completou.
Na semana passada, o Jiangsu Suning havia comprado o também brasileiro Ramires, do Chelsea, por 28 milhões de euros, o que, na ocasião, já foi um recorde para o futebol chinês.
Timão desmanchado
Do elenco do Corinthians campeão brasileiro no ano passado, nada menos de quatro jogadores foram parar na China, o zagueiro Gil (Shandong Luneng), o volante Ralf e o meia Renato Augusto (ambos no Beijing Guoan) e o meia Jadson (Tianjin Quanjian).
As empresas chinesas investiram cifras astronômicas no futebol desde que o presidente Xi Jinping, um fã deste esporte, declarou que vencer uma Copa do Mundo e organizar o torneio mundial eram objetivos nacionais.
A China começou a fortalecer suas equipes com a contratação de grandes figuras do futebol internacional em fim de carreira.
Mas nos últimos tempos os clubes estão comprando jogadores mais jovens, principalmente revelações do Campeonato Brasileiro, mas também atletas o também atletas de outros países consolidados no futebol europeu, como Freddy Guarín, o marfinense Gervinho ou o capitão da seleção de Camarões Stéphane Mbia.
O futebol chinês já começa também a movimentar muito dinheiro com transferências de jogadores entre clubes do país, como foi o caso de Elkeson (ex-Botafogo), vendido por 18,5 milhões de euros pelo Guangzhou Evergrande ao Shanghai SIPG.