Os militares também são detidos pela presença de civis na área dos combates. Um homem em fuga explicou que ele e sua família foram utilizados como escudos humanos por combatentes do EI que tentavam fugir da cidade.
Acredita-se que restam menos de 400 membros do grupo jihadista em Ramadi.
As forças de Bagdá não conseguem tomar um cruzamento estratégico no bairro de Hoz, próximo à antiga sede governamental, cujo controle é chave para reconquistar a cidade, tomada pelo EI em maio.
As características do local permitem que um grupo reduzido de combatentes consiga conter o avanço de um grupo mais numeroso.
"O CTS (corpo de elite antiterrorista) desocupou totalmente o bairro de Hoz e chegou perto do complexo governamental", explicou o porta-voz das tropas iraquianas, Sabah al Numan, à AFP.
Segundo o comando militar iraquiano, o uso de explosivos por parte do EI obrigou o exército a mudar de estratégia. "O plano consistia em entrar em Hoz a partir (do bairro) de Dhubbat (ao sul), mas por culpa das minas, o CTS se desviou e entrou pela margem do rio", disse em um comunicado.
"Os combates provocam perdas entre os membros do Daesh (acrônimo árabe do EI) e as forças iraquianas", afirmou Ahmed al Dulaimi, um capitão da polícia.
Dois membros das forças de segurança iraquianas morreram e nove ficaram feridos nas ultimas horas, indicou. Ao menos outros três morreram na sexta-feira, segundo um oficial de alto escalão e líderes locais.
Entre os jihadistas, ao menos 23 morreram na sexta-feira, acrescentaram estas fontes.
"A oitava divisão do exército e as forças de elite do serviço antiterrorista (CTS) avançam", afirmou o coronel Steve Warren, porta-voz da coalizão internacional liderada por Washington, que fornece apoio aéreo às tropas iraquianas.
"As CTS avançaram centenas de metros até a sede do governo", afirmou Warren.
Acredita-se que o EI tenha menos de 400 membros na cidade, e algumas fontes afirmam que vários de seus combatentes estão se retirando do front utilizando civis como escudos humanos.
As tropas iraquianas não apenas se viram freadas pelos carros-bomba, mas também pelo fato de alguns civis terem ficado presos em suas casas devido aos combates.
A perda de Ramadi em maio foi a pior derrota infligida às tropas de Bagdá pelo EI, desde que o grupo jihadista tomou um terço do território do país, no ano passado.
O exército governamental estava há meses preparando o ataque, e pouco a pouco conseguiu controlar as pontes e estradas estratégicas ao redor da cidade.
Uma reconquista total da localidade pode ser chave na luta contra o EI no Iraque, já que permitiria isolar Faluja, um reduto jihadista situado entre Bagdá e Ramadi.
Uma vitória também permitiria lavar a imagem do exército iraquiano, que recebeu muitas críticas depois de perder amplas faixas de território para os jihadistas.
O primeiro-ministro iraquiano Haider al Abadi afirmou na sexta-feira que, depois de retomar Ramadi, suas tropas reconquistarão Mossul (norte), a segunda cidade do país, que também está nas mãos do EI.