Secretário de Estado americano John Kerry em Roma para a conferência sobre a Líbia Secretário de Estado americano John Kerry em Roma para a conferência sobre a Líbia

Cerca de vinte países e organizações lançaram um apelo neste domingo em Roma em favor de um cessar-fogo imediato em toda a Líbia e pelo estabelecimento rápido de um governo de união para acabar com o caos que reina no país.

Um governo de união nacional com "sede em Tripoli" é "essencial para enfrentar, em parceria com a comunidade internacional, os desafios críticos aos quais o país é confrontado nos domínios humanitário, econômico e de segurança", anunciaram os participantes em um comunicado conjunto, após esta reunião liderada pela Itália e os Estados Unidos.

"Apelamos todas as partes para que aceitem um cessar-fogo imediato e completo em toda a Líbia", acrescentaram, reafirmando seu compromisso em fornecer uma assistência humanitária aos habitantes.

Segundo a ONU, 2,4 dos 6 milhões de líbios passam por necessidades, apesar das riquezas petrolíferas do país.

As potências ocidentais desejam que um Governo de união tome as rédeas do país para frear o avanço do grupo Estado Islâmico (EI), além de combater as redes de traficantes que todos os meses mandam para a Itália milhares de migrantes em condições desumanas.

"Nós não podemos permitir que o status quo perdure na Líbia", insistiu o secretário de Estado americano, John Kerry, durante uma coletiva de imprensa.

Além de Kerry, a reunião conta com a presença do enviado da ONU para Líbia, Martin Kobler, bem como de representantes de 18 países europeus e árabes e representantes de diversas facções rivais líbias.

Depois do compromisso obtido na sexta-feira em Túnis por delegações dos dois parlamentos rivais - de Tobruk (leste), reconhecido pela comunidade internacional, e de Trípoli - de assinar na quarta-feira o acordo apoiado pela ONU, a reunião deste domingo está destinada a mostrar a solidariedade internacional para com o país.

Na quarta, representantes dos dois parlamentos líbios rivais assinarão no dia 16 de dezembro um acordo que prevê a formação de um governo de unidade nacional.

"A assinatura do acordo político será realizada em 16 de dezembro", declarou à imprensa Salah al Majzun, do parlamento de Trípoli. Um membro do arlamento rival, de Tobruk, Mohamed Shueib, confirmou a informação.

"Faço um apelo aos meus colegas a que se unam neste diálogo entre líbios, sob a égide da ONU", acrescentou o representante do Parlamento, reconhecido como autoridade pela comunidade internacional.

Shueib fez um apelo para que o restante dos parlamentares se una a este esforço.

Do lado rival, outro vice-presidente do Parlamento de Trípoli, Awad Mohamed Abdul Sadiq, tinha anunciado no domingo passado que representantes das duas facções tinham chegada a um acordo político, em outro diálogo que não contou com a participação da ONU.

Para alcançar este acordo paralelo, as duas partes tinham concordado em manter fora das negociações a ONU, que há meses tentava resolver a crise na Líbia, mas cujas ações são denunciadas uma "intromissão estrangeira" pelas facções mais extremas dos dois governos.

Desde a queda em 2011 do regime de Muanmar Kadhafi, propiciada por uma operação militar na qual participaram países como França, Estados Unidos e Grã-Bretanha, a Líbia está afundada no caos.

A comunidade internacional tenta há tempos conseguir em vão um acordo interlíbio para formar um único governo.

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