Os combates foram particularmente intensos durante a madrugada deste sábado, o que levou a Rússia a pedir o cessar-fogo imediato entre essas duas ex-repúblicas soviéticas.
"Doze soldados azeris morreram em combate e um helicóptero foi abatido pelas forças armênias", declarou em um comunicado o ministério azeri da Defesa, que assegurou que seu exército retomou duas colinas estratégicas e uma aldeia nesta região.
"Do nosso lado, são 18 soldados mortos e 35 feridos", anunciou o presidente armênio Serge Sarkissian em uma entrevista à tv local, sem especificar se os combatentes pertenciam ao exército regular ou à milícia Nagorno Karabaj, apoiada por Yerevan.
Nos combates, também foi destruído um tanque azeri na explosão de uma mina, de acordo com Bacu.
Segundo o Azerbaijão, esses combates teriam resultado também na morte de cerca de cem soldados armênios, mas a Armênia negou essas informações.
Yerevab admitiu, no entanto, que depois de meses de combates esporádicos, "o Azerbaijão lançou na sexta-feira um ataque maciço na fronteira de Nagorno Karabakh, com tanques, artilharia e helicópteros".
Em Nagorno Karabakh, as forças separatistas apoiadas pela Armênia anunciaram ter abatido dois helicópteros e um drone e destruído três tanques, assegurando que os azeris mataram um menino de 12 anos e feriram outros dois.
Os armênio de Nagorno Karabakh se apoderaram a região depois de uma guerra 1988 e 1994 que cobrou a vida de 30.000 pessoas.
Criaram uma república independente que não foi reconhecida internacionalmente.
Desde 1994 está vigente um cessar-fogo, mas nunca foi assinado um acordo de paz definitivo.
- Putin intervém -
Em Moscou, o presidente Vladimir Putin pediu "um cessar-fogo imediato e demonstração de moderação para evitar que haja novas vítimas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.
Os ministros russos das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e da Defesa, Serguei Shoigu, ligaram para seus respectivos colegas nos dois países para tentar reduzir a escalada da violência.
Em Yerevan, o primeiro-ministro Ovik Abrahamian convocou uma reunião de emergência do governo frente a "estas hostilidades do inimigo de uma escalada sem precedentes" e se declarou disposto a "tomar as medidas necessárias para estabilizar a situação".
Nagorno Karabakh é uma região situada no Azerbaião, povoada, nos tempos da União Soviética, por maioria armênia.
O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo o orçamento de defesa é maior que o orçamento total da Armênia, ameaça regularmente com retomar à força a região separatista se as negociações não chegarem a um acordo.
A Armênia, que conta com o apoio da Rússia, responde que pode fazer frente a qualquer ofensiva.
Neste fim de semana, quando se encontrava em Washington para a cúpula internacional sobre segurança nuclear organizada pelo presidente Barack Obama, o presidente azeri, Ilham Aliev, exigiu, diante do secretário de Estado americano John Kerry, que a Armênia retirasse imediatamente suas tropas de Nagorno Karabakh.
Recebido por Kerry em paralelo à cúpula, Aliev disse que agradece aos Estados Unidos "seus esforços para encontrar um meio que solucione o longo conflito entre Armênia e Azerbaijão".
Mas insistiu que o fato de que "o conflito deve ser resolvido com base em uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que exige uma retirada imediata e sem condições das tropas armênias dos territórios azeris".
O vice-presidente Joe Biden também recebeu os dois chefes de Estado e pediu para que se dialogo para alcançar um acordo.