Mosquitos Aedes aegypti são vistos em um laboratório, em Medellín, no dia 25 de janeiro de 2016 Mosquitos Aedes aegypti são vistos em um laboratório, em Medellín, no dia 25 de janeiro de 2016

A Colômbia, segundo país mais afetado do mundo pelo zika depois do Brasil, prevê mais de 1.500 casos da síndrome neurológica de Guillain-Barré associada a este vírus - disse nesta segunda-feira o ministro da Saúde, Alejandro Gaviria.

"A taxa que estamos falando hoje em dia é de 2,3 casos de Guillain-Barré por 1.000 afetados por zika.

Esses são o suficiente, porque na Colômbia estão esperando 650.000 casos de zika durante a epidemia. Em outras palavras espera-se 1.512 casos de Guillain-Barré", disse Gaviria em entrevista à Radio Blu.

"A mortalidade associada à síndrome de Guillain-Barré é de 4% e é incapacitante em várias dimensões", disse Gaviria, alertando para uma "explosão" de casos da doença.

Gaviria disse que neurologistas disseram que passaram anos sem ver um caso de síndrome de Guillain-Barré e agora veem "três em um único dia". Atualmente, disse, há 15 pacientes desta doença em hospitais em Cucuta (nordeste), na fronteira com a Venezuela, e três em Ibagüé (centro-oeste).

"Há uma sobreposição suficiente no espaço e no tempo para dizer que aqui há claramente uma associação", explicou.

A síndrome de Guillain-Barré, uma condição na qual o sistema imunitário ataca o sistema nervoso e pode causar paralisia, é um dos problemas relacionados com o zika, suspeito também de causar um aumento de malformações congênitas na América Latina.

"As duas maiores preocupações são estas: a microcefalia e complicações neurológicas", afirmou Gaviria sobre esta epidemia que, segundo ele, "tem uma característica de tempestade perfeita".

De acordo com o último boletim epidemiológico do Instituto Nacional de Saúde colombiano, até a terceira semana de janeiro havia 20.297 casos notificados de zika, 2.116 deles em grávidas.

"Isso é sério", afirmou Gaviria sobre o surto de zika na Colômbia, que segundo as projeções mostrará sua fase mais difícil até a terceira ou quarta semana de março, e deve diminuir após julho.

Agora "esperamos entre 5.000 e 6.000 novos casos relatados zika por semana", acrescentou sobre o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue e da chikungunya.

No entanto, já que apenas uma em cada quatro pessoas que contraem zika apresentam algum sintoma, como febre baixa, dores de cabeça e articulares ou erupções cutâneas, "muito provavelmente" tem "dezenas de milhares de casos no país", apontou Gaviria.

A Colômbia, que na semana passada declarou alerta verde hospitalar para se preparar para a "fase expansiva" do zika, não pretende suspendê-lo por ora.

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