(Arquivo) Manifestantes do movimento dos 'indignados' participam de protesto na Porta do Sol, em Madri, no dia 23 de julho de 2011 (Arquivo) Manifestantes do movimento dos 'indignados' participam de protesto na Porta do Sol, em Madri, no dia 23 de julho de 2011

Nascido há cinco anos em Madri, o movimento dos "indignados" fez tremer os alicerces políticos da Espanha. De acampar em praças nas cidades do país, eles passaram a ocupar as instituições, ainda que tenham muito por fazer.

A semente foi o manifesto "Democracia real YA!", pensado na primavera de 2011 por uma dezena de blogueiros e ativistas convocando uma manifestação em meio a uma das piores crises econômicas da história espanhola, recorda um de seus de seus promotores, Fabio Gándara, de 31 anos, que virou empreendedor.

Como uma taxa de desemprego superior a 20%, centenas de pessoas ficaram sem emprego a cada dia e vivendo em uma desigualdade cada vez maior, assim a sociedade espanhola abandonava sua apatia política. Em 2011, foram registradas mais de 21.000 manifestações no país.

Em 15 de maio, sob o céu azul de Madri, milhares de pessoas atenderam ao chamado e ocuparam a praça central da Porta do Sol, onde montaram um acampamento improvisado que se recusaram a abandonar como haviam feito semanas antes os egípcios na praça Tahrir, no Cairo.

Nos dias seguintes, foram organizados acampamentos nas praças de todo o país, de Barcelona até Sevilha e de Valência a Vigo. Nascia assim o movimento contestatório que acabaria sendo conhecido como os "indignados" ou 15-M.

Meses depois, em outubro, o movimento cruzava fronteiras e eram reproduzidas manifestações similares em Roma ou Nova York, onde nasceu "Occupy Wall Street".

Os manifestantes, rotulados de "anti-sistema" pela direita, buscavam uma mudança radical que transcendia as ideologias e centravam a sua ira na classe política e econômica com lemas como "Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros".

"Uns se consideram mais progressistas, outros mais conservadores (...) mas todos estamos preocupados e indignados com o panorama político, econômico e social", dizia o manifesto "Democracia Real YA".

Nova era política

Até junho, a Porta do Sol de Madri se transformou em um alegre acampamento cheio de barracas, desfiles, cartazes de reivindicação e dezenas de assembleias e debates sobre como construir um futuro melhor.

"Foi um acontecimento maiúsculo que se tornou um novo ciclo político e histórico", avalia o sociólogo de esquerda Jaime Pastor. Para ele, este movimento, nascido com os socialistas no poder, demonstrou a separação entre os cidadãos e a classe governante.

Mas em novembro de 2011, a direita chegou ao governo com uma maioria esmagadora e realizou políticas contrárias ao que tinham proposto: aumento dos impostos, austeridade draconiana e um resgate do setor bancário com dinheiro público.

Os indignados continuaram se manifestando até às portas das casas de políticos, importando a "destruição" argentina para a Espanha.

Foi só com a chegada do Podemos - fundado no início de 2014 por um grupo de professores universitários inspirados pela esquerda latino-americana - que os "indignados" viram concretizadas parte de suas aspirações.

Com os indignados, "foi recuperada a concepção da política como ferramenta de mudança", disse o deputado ecologista Juan López de Uralde, antigo dirigente do Greenpeace na Espanha, agora do Podemos.

O primeiro golpe chegou nas municipais de maio de 2015, quando plataformas que tinham afinidade com o 15-M tomaram numerosos municípios, entre eles Madri e Barcelona, dirigida pela carismática ativista anti-despejos Ada Colau.

Nas legislativas de dezembro de 2015, este partido de esquerda radical "populista" segundo os conservadores, se tornou a terceira força política atrás do Partido Popular e dos socialistas do PSOE e tem agora de 69 deputados.

Outro partido crítico à corrupção, o Ciudadanos (centro-direita), entrou em um Congresso radicalmente transformado, com 211 novos deputados de 350.

Mas a fragmentação política impossibilitou a formação de um governo e as eleições deverão ser repetidas em 26 de junho.

Ainda assim, "estão conseguindo muitas coisas", comemora Tristán Duanel, militante do Podemos. "Os jovens já se colocam nos partidos (...) Pouco a pouco estão assumindo as teses dos indignados sobre regeneração e transparência", inclusive pela direita.

Mas "a mudança é lenta", admite. "Tem que ser feito algo em nível europeu".

Para Jaime Pastor, iniciativas como o movimento Plano B para a Europa, do ex-ministro grego Yanis Varoufakis, e o francês "Nuit Debout" (Noite de Pé) são extensões do 15-M.

"Estes movimentos pertencem a uma mesma família", opina também o sociólogo francês Michel Wieviorka: ocupam o "vazio" deixado pelos socialistas "direitizados", "querem que as coisas vão de baixo para cima" e "recorrem a novas formas de deliberação".

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