O país só poderá competir nas provas de atletismo do Rio se comprovar à Federação Internacional (IAAF) que fez esforços significativos para acabar com o esquema de "doping organizado" denunciado pela Wada.
O programa de trinta minutos, que foi ao ar na noite deste domingo, mostra, por exemplo, imagens do técnico Vladimir Mokhnev, treinando fundistas, enquanto deveria cumprir suspensão por acusações de doping.
Mas a cena mais chocante é uma gravação de áudio que o canal atribui a Anna Antselovich, nova diretora da Agência local Antidoping (Rusada), ouvida alertando uma atleta sobre um exame previsto para um futuro próximo.
"Quando um dirigente informa atletas intencionalmente sobre controles antidoping, medidas disciplinares precisam ser tomadas. Uma investigação precisa ser aberta e esta pessoa precisa ser demitida" afirmou Joseph de Pencier, presidente das organizações nacionais antidoping (Inado), no comunicado da ARD.
Em outro trecho do documentário, gravações de conversas telefônicas mostram um técnico russo se informando sobre o preço de substâncias proibidas.
A IAAF já avisou num comunicado que o autor do documentário entregou todo o material de áudio e vídeo da reportagem à força-tarefa encarregada por fiscalizar os avanços da Rússia na luta antidoping.
"A força tarefa vai avaliar com atenção as questões levantadas pelo documentário e cobrar explicações dos representantes da Federação Russa", explicou a entidade.
A ARD já tinha revelado o esquema em dezembro de 2014, com a primeira parte do documentário, chamado "Dossiê secreto sobre doping: como a Rússia produz seus campeões".
Na época, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tinha pedido a abertura de uma investigação, que acabou sendo liderada pela comissão independente da Wada.
Em agosto do ano passado, às vésperas do Mundial de Atletismo de Pequim, foi divulgada a segunda parte do documentário da ARD, com novas acusações sobre atletas russos e quenianos.