O primeiro-ministro britânico, David Cameron, enfrenta neste sábado o desafio de convencer seus ministros e a população britânica em geral da conveniência de votar em favor da permanência do país na União Europeia, após as concessões obtidas em Bruxelas.

Pela primeira vez desde a Guerra das Malvinas, em 1982, o gabinete vai se reunir em um sábado, e anunciará a data do referendo sobre a permanência no bloco dos 28.

"O gabinete irá discutir esta manhã o novo estatuto especial do Reino Unido na UE. Então irei anunciar a data fixada para o referendo", escreveu Cameron em sua conta no Twitter, depois da cúpula de dois dias realizada na quinta e sexta-feira na capital belga.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro vai falar no Parlamento, que deve aprovar formalmente a data da consulta.

O anúncio da data, que poderia ser 23 de junho, marcará o início de uma campanha difícil. De acordo com pesquisas, a metade dos britânicos deseja continuar na União e a outra metade abandoná-la.

Após a reunião de gabinete, os ministros que são a favor do "Brexit" poderão falar abertamente.

Entre os cinco ou seis ministros que apoiariam o que seria a primeira saída de um país da União, espera-se que o ministro da Justiça, Michael Gove, o faça.

Uma das grandes questões é saber se o prefeito de Londres, Boris Johnson, membro do partido conservador de Cameron, irá juntar-se a eles.

Em todo o caso, o chefe de Governo defenderá vigorosamente o "sim".

"Farei campanha com todo o meu coração e toda a minha alma para convencer o povo britânico que devemos seguir na União Europeia reformada que conseguimos hoje", declarou Cameron a repórteres na sexta à noite.

Ele explicou que, no âmbito do acordo, o Reino Unido não terá que financiar os países da zona euro que atravessam problemas; suas empresas não serão discriminadas por não utilizarem o euro; terão novos poderes para deportar criminosos europeus que entrarem no país e poderão limitar a sete anos alguns benefícios sociais aos imigrantes.

Imprensa conservadora cética

A imprensa britânica de direita não parecia muito convencida a respeito do acordo obtido.

Segundo The Times, Cameron "não tem muita escolha a não ser voltar aos velhos argumentos sobre os interesses britânicos de tentar reformar a Europa internamente, em vez de submeter-se aos rigores desconhecidos da independência total".

Já The Guardian, de centro-esquerda, considerou "um pacote prático" que "não pode ser reduzido a uma farsa". O jornal proclamou o seu apoio a uma permanência do país na UE "aconteça o que acontecer" e pede para os eleitores analisarem "muito a sério" as reformas.

O drama parece estar apenas começando para Cameron, que enfrentará não só uma imprensa hostil, mas também a oposição de alguns eurocéticos dentro de seu partido.

Anand Menon, professor de política europeia do King's College London, espera que ambos os lados insistam sobre os riscos de deixar a União ou seguir com este status quo.

"Vai ser uma campanha de um pessimismo deprimente", declarou o professor à AFP.

A chanceler alemã, Angela Merkel, chamou de "compromisso justo" o acordo alcançado com o Reino Unido. "É um compromisso justo que não foi fácil", afirmou em Bruxelas ao final da cúpula.

Já o presidente francês, François Hollande, e o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, negaram que Londres tenha ganhado o privilégio de frear uma maior integração da zona do euro.

"Hoje o Reino Unido tem um lugar especial na Europa, mas não houve qualquer violação das regras do mercado único e não há nenhuma revisão prevista aos tratados nem direito de veto na zona do euro", disse Hollande numa coletiva de imprensa em Bruxelas.

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