"Decidi pedir demissão do meu cargo na IAAF até que o Comitê de Ética seja capaz de revisar o caso e decidir se sou responsável por violar o Código Ético da IAAF", declarou Davies, diretor do Gabinete do Presidente, em um comunicado difundido pela federação.
Na segunda-feira, o jornal Le Monde e posteriormente o canal da TV pública britânica BBC publicaram que Davies, no momento secretário-geral da IAAF, enviou um e-mail com um plano para manter ocultos os nomes dos atletas russos dopados até a conclusão do campeonato mundial.
Ele teria enviado o e-mail a Papa Massata Diack, que trabalhava na IAAF como consultor de marketing e é filho do ex-presidente do máximo órgão diretor do atletismo, Lamine Diack.
No e-mail, enviado poucas semanas antes do evento moscovita, Davies escreveu que precisava se sentar com os dirigentes da luta antidoping para manter os "mortos russos no armário".
"Se os culpados não competirem, podemos aguardar a conclusão do evento para anunciá-los", escreveu Davies.
Em resposta ao Le Monde, Davies assegurou que "nenhum plano foi realizado em consequência deste e-mail e não há nenhuma possibilidade de uma estratégia ou plano que possa interferir no processo antidoping".
Lamine Diack, de 82 anos, há 15 como presidente da IAAF, foi substituído por Coe em agosto e depois demitiu-se como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) em novembro passado, quando a justiça francesa o acusou de cobrar dinheiro dos russos em troca de fazer vista grossa aos casos de doping de atletas daquela nacionalidade.
Pai e filho
Em prisão preventiva em Paris desde o início de novembro, Lamine tinha afirmado que a Rússia, através do então presidente de sua federação de atletismo, Valentin Balajnichev, também tesoureiro da IAAF, tinha aportado uma contribuição de 1,5 milhão de euros.
Esta quantia teria sido "distribuída entre associações e esferas de influência" para apoiar a mobilização contra uma reeleição para um terceiro mandato do presidente senegalês Abdoulaye Wade, informaram na sexta-feira passada fontes ligadas ao caso, confirmando informações do Le Monde.
Diack pai é julgado na França por "corrupção passiva, lavagem com agravante e corrupção".
Em Dacar, no Senegal, seu filho, Papa Massata Diack, também citado na investigação, se disse determinado a se apresentar à justiça, mas em seu país e não na Europa.
Além disso, negou qualquer financiamento à oposição política senegalesa em 2012.
"Estou no Senegal, aonde é possível enviar uma comissão revogatória. Sou cidadão senegalês, não francês", declarou Papa Massata Diack em entrevista à rádio Futurs médias (RFM, privada).
Diack filho disse estar tranquilo.
"Estou completamente sereno. Ao final da investigação serão reveladas surpresas", afirmou em declaração à RFM, que pertence ao grupo de mídia de um ex-ministro do atual presidente senegalês, Macky Sall.
"O povo quis dizer que foram encobertos casos de doping em troca de um financiamento oculto. Nunca participei de financiamento dos opositores", acrescentou Diack.
"Não recebi dinheiro nenhum das mãos de Valentin Balajnichev", assegurou.