Os investigadores haviam estabelecido um possível vínculo entre o apartamento de Forest e um esconderijo em Charleroi (sul) ocupado por um dos comandos de Paris justo antes de sua saída para a França, informaram nesta quinta-feira à AFP fontes próximas à investigação.
Em Charleroi, a polícia encontrou rastros de DNA de Chakib Akrouh, que se explodiu cinco dias depois no apartamento de Saint Denis (norte de Paris) e pegadas de Abdelhamid Abaaoud, considerado como um dos principais organizadores dos ataques, e de Salah Abdeslam, suspeito-chave ainda foragido.
Segundo o diário De Standaard, o apartamento de Charleroi, assim como o de Forest, foram alugados sob um nome falso por um certo Khalid El Bakraoui, um belga de 27 anos condenado a cinco anos prisão em 2011 por roubo de veículo com violência.
Seu irmão, Ibrahim El Bakraoui, foi condenado em Bruxelas por disparar contra policiais com uma kalashnikov após assaltar um cambista em 2010, segundo o diário La Dernière Heure.
Na terça-feira, os agentes deveriam comprovar se os irmãos El Bakraoui continuavam no apartamento de Forest, embora tivessem poucas esperanças de encontrá-los, já que a água e a eletricidade haviam sido cortadas há várias semanas, confirmou a AFP com uma fonte da investigação.
Contudo, os seis policiais belgas e franceses que realizavam esta busca rotineira viram-se imersos em um tiroteio com armas automáticas. Um dos três homens presentes no apartamento teria sido morto por um franco-atirador da polícia, mas outros dois suspeitos conseguiram fugir e continuam sendo "procurados ativamente".
Segundo o Standaard, os fugitivos "não seriam os irmãos El Bakraoui", embora a procuradoria belga não tenha confirmado ou desmentido esta informação.
Sem antecedentes por terrorismo
O suspeito abatido, um argelino, identificado como Mohamed Belkaid, de 35 anos, imigrante irregular com um antecedente de "roubo simples", não estava registrado pelo OCAM, o organismo que avalia a ameaça terrorista na Bélgica, segundo a televisão RTBF.
Junto ao corpo, a polícia encontrou uma bandeira do Estado Islâmico, um livro sobre salafismo e "11 carregadores de kalashnikov e substancial munição", segundo o porta-voz da procuradoria federal, Thierry Werts.
Também foram encontrados material informático encriptado e documentos de identidade, alguns falsificados, segundo o Standaard.
"Trata-se manifestadamente de uma célula terrorista ou de um embrião de célula" preparando alguma ação, afirmou à AFP o especialista em contraterrorismo Claude Moniquet.
Após o tiroteio, a polícia belga difundiu internamente o retrato falado de um suspeito, "norte-africano, de entre 25 e 28 anos, 1,85 de altura, com um gorro branco", segundo La Dernière Heure, embora a procuradoria não tenha explicado que papel poderia ter tido este indivíduo.
O primeiro-ministro belga, Charles Michel, manteve na quarta-feira sem mudanças o nível de alerta anti-terrorista, 3 de uma escala de 4, o que supõe que a ameaça de atentado é "possível e verossímil".