A multiplicação de protagonistas, as profundas divisões internacionais e a ascensão dos grupos jihadistas Estado Islâmico (EI) e Frente Al-Nosra, minam os esforços para uma resolução do conflito sírio, que em cinco anos fez mais de 260.000 mortos e forçou ao exílio mais da metade da população.
Além dos violentos combates em todas as frentes entre os vários beligerantes, um duplo atentado com carro-bomba atingiu neste domingo o bairro Al-Zahra, em Homs, fazendo 46 mortos e dezenas de feridos, a maioria civis, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos direitos (OSDH).
O governador da província de Homs, em grande parte controlada pelo regime, evocou um balanço provisório de 25 mortos. O ataque ainda não foi reivindicado.
A televisão estatal exibiu imagens do local do ataque, mostrando colunas de fumaça, enquanto bombeiros tentavam extinguir focos de incêndio e soldados e civis tentavam resgatar de um veículo uma pessoa presa às ferragens.
No mês passado, um atentado duplo reivindicado pelo EI fez 22 mortos neste mesmo bairro de Homs.
À espera de Obama e Putin
Em outras frentes, os combates prosseguiam entre a forças do regime e os rebeldes, além de outros confrontos entre as forças curdas e jihadistas, ou ainda rebeldes e jihadistas.
A estes atores, soma-se o envolvimento militar de grandes potências no conflito: a Rússia apoia o regime com a sua aviação e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos bombardeia o EI. E na semana passada, a Turquia iniciou ataques aéreos contra as forças curdas sírias perto da fronteira.
Esta situação muito complexa dificulta a aplicação de um acordo que seja acordado por todas as partes, apesar dos esforços da ONU e especialmente dos Estados Unidos.
Neste domingo, antes de uma reunião com o rei Abdullah da Jordânia, Kerry anunciou durante uma coletiva de imprensa em Amã que voltou a falar ao telefone com seu colega russo, Sergei Lavrov.
"Chegamos a um acordo provisório de princípio sobre os termos de uma cessação das hostilidades que poderia começar nos próximos dias", afirmou.
"Ainda não está concluído, mas espero que os nossos presidentes, o presidente (Barack) Obama e o presidente (Vladimir) Putin, possam conversar nos próximos dias para tentar completar este trabalho", acrescentou Kerry.
Contudo, Moscou anunciou no sábado que continuará a ajudar o regime do presidente Bashar al-Assad a combater os "terroristas".
"Estamos mais perto hoje de um cessar-fogo", assegurou o chefe da diplomacia americana, que negocia há vários dias com Moscou para a implementação deste componente do acordo internacional concluído em Munique, em 11 e 12 de fevereiro.
Kerry e Lavrov são os principais arquitetos do Acordo de Munique do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG), sob o qual 17 países e três organizações multilaterais concordaram com a "cessação das hostilidades" na Síria em princípio a partir de sexta-feira, 19 de fevereiro, mas os combates continuaram.
Com o regime considerando difícil a implementação do cessar-fogo, a oposição impondo condições quase inatingíveis e grupos jihadistas fora de controle, é difícil conceber uma trégua.
Além da Rússia, a Turquia, ferozmente hostil ao regime de Assad, disse que se reservava o direito de realizar "todos os tipos de operações" militares contra forças curdas na Síria, descritas como "terroristas".
O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, reconheceu que seus esforços para aproximar as partes e encontrar uma solução política eram complicados.