O presidente argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires, no dia 14 de dezembro de 2015 O presidente argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires, no dia 14 de dezembro de 2015

A Argentina começará a negociar os "fundos abutres" na segunda semana de janeiro para pagar sua dívida em default, anunciou nesta segunda-feira o mediador judicial, Dan Pollack, após se reunir com enviados do presidente, Mauricio Macri.

"Foi acordado que voltarão à cidade de Nova York na segunda semana de janeiro para começar negociações substanciosas com os detentores de bônus", afirmou Pollack em um comunicado ao final de um encontro de uma hora com o secretário de Finanças argentino, Luis Caputo, e do vice-chefe de gabinete, Mario Quintana.

Em um texto curto, Pollack, nomeado mediador pelo juiz federal Thomas Griesa, destacou que a reunião foi construtiva e abrangeu "uma gama de questões", sem dar mais detalhes.

Os funcionários argentinos evitaram a imprensa ao final do encontro, constatou a AFP.

Foi a segunda reunião do novo governo do liberal de direita Mauricio Macri com o mediador judicial, após a primeira, no começo de dezembro, na qual se anunciou que a Argentina começaria a negociar "rapidamente" com os fundos especulativos NML Capital e Aurelius, que ganharam em 2012 uma ação de 1,7 bilhão de dólares atuais por bônus em default desde 2001.

O governo anterior de Cristina Kirchner (2007-2015) tinha rechaçado a sentença de Griesa, que em 2014 congelou um pagamento de US$ 539 milhões em Nova York a detentores de bônus que aderiram à troca de 2005 e 2010 da dívida não paga, provocando um default parcial da Argentina.

Noventa e três por cento dos credores da Argentina aceitaram esta reestruturação de reembolso parcial, mas 7% restantes as rejeitaram, pedindo o reembolso de todas as dívidas mais os juros.

Em outubro passado, Griesa aceitou um pedido de 49 ações de outros detentores de títulos em default por US$ 6,15 bilhões de se somar à sentença dos fundos especulativos.

Ausência na última audiência

O anúncio do início das negociações, em janeiro, ocorre depois da ausência dos advogados argentinos, na semana passada, na primeira audiência sobre o complexo caso judicial ante Griesa, após a posse de Macri, em 10 de dezembro.

O encontro não envolvia diretamente a Argentina, mas os fundos NML Capital e Aurelius e três bancos estrangeiros (JP Morgan, BBVA e Deutsche Bank) a partir de um bônus emitido em 2014 e em 2015 pelo país sul-americano, que poderia violar a sentença do juiz.

Embora os advogados do escritório que representa a Argentina não fossem obrigados a se apresentar, até o momento o fizeram em todas as audiências anteriores relacionadas com o caso.

Na véspera deste compromisso nos tribunais de Manhattan, Luis Caputo antecipou e justificou a ausência, explicando que Pollack tinha dito que não era "necessário" para a Argentina participar da reunião.

O governo argentino anterior qualificada os fundos especulativos de "abutres" por terem comprado bônus em default a preço de banana para tentar recuperar seu valor nominal pela via judicial.

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