Fumaça é vista após ataque da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em Sanaa, no dia 15 de outubro de 2015 Fumaça é vista após ataque da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em Sanaa, no dia 15 de outubro de 2015

A coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita negou neste domingo que utilize bombas de fragmentação nos bombardeios contra os rebeldes huthis no Iêmen.

"Desmentimos a utilização de bombas de fragmentação em Sanaa", afirmou à AFP o general saudita Ahmed al-Asiri, porta-voz da coalizão.

A declaração foi uma resposta ao relatório da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) publicado na quinta-feira e que, citando moradores de Sanaa, menciona o uso de bombas de fragmentação em um ataque da coalizão em 6 de outubro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mencionou na sexta-feira "informações preocupantes" sobre a utilização deste tipo de armamento nas zonas habitadas do Iêmen e advertiu que "poderia ser considerado um crime de guerra".

O general saudita afirmou que o relatório da HRW "não apresenta nenhuma prova" verificável e se refere a um tipo de bomba de fragmentação "que não faz parte dos depósitos" da coalizão.

Ele disse que 90% das operações da coalizão em Sanaa têm como alvos os lançadores de mísseis Scud e contra estes "não é possível usar bombas de fragmentação".

A comunidade internacional está preocupada com o preço pago pelos civis na guerra do Iêmen entre rebeldes xiitas que controlam a capital e boa parte do norte do país e as forças do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, apoiadas pela coalizão árabe.

O conflito provocou quase 6.000 mortes, sendo 2.800 de civis, e uma crise humanitária.

Uma bomba de fragmentação dispersa muitos projéteis explosivos de tamanho pequeno. É uma arma eficaz em uma superfície extensa, mas provoca muitas vítimas fatais e, por isto, uma convenção internacional de 2008 proíbe seu uso.

Arábia Saudita e Iêmen não assinaram o tratado.

Neste domingo, a HRW denunciou os rebeldes xiitas huthis pela detenção arbitrária de dezenas de pessoas em Sanaa.

A ONG documentou os casos de 35 pessoas detidas "de forma abusiva" entre agosto de 2014 e outubro de 2015.

Vinte e sete delas permanecem detidas, em sua maioria membros do partido islamita sunita Al-Islah, adversário dos rebeldes, segundo a HRW.

As detenções provocam um "clima de medo" na capital do Iêmen, disse Joe Stork, vice-diretor da HRW para o Oriente Médio.

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