"Constato que o meu governo perdeu a maioria necessária para poder trabalhar e cumprir nosso plano de governo", declarou aos deputados.
A coalizão Juntos pelo Sim, de Puigdemont, formada por partidos independentistas de direita e de esquerda, chegou ao poder após um pacto com a Candidatura de Unidade Popular (CUP), de esquerda radical, para transformar esta região mediterrânea em uma república independente.
No entanto, este pacto se rompeu nesta quarta-feira quando a CUP se uniu à oposição não independentista para impedir a tramitação dos orçamentos, que foram rejeitados por 62 votos a favor e 72 contra.
"São manifestamente insuficientes", marcados pela "manutenção da austeridade e a submissão ao governo central", argumentou Eulàlia Reguant, deputada da CUP, que reivindica descumprir o teto de despesas determinado por Madri e elevar os impostos sobre a alta renda.
Diante da nova conjuntura, Puigdemont anunciou que em setembro se submeteria a uma moção de confiança no Parlamento.
Se a CUP voltar a se alinhar com os não independentistas, terá que escolher um novo governo ou convocar novas eleições, as quartas desde 2010, com o que o processo separatista catalão seria abortado.
"Acreditamos que as pontes para a independência não se romperam", reagiu imediatamente o deputado da CUP, Joan Garriga, embora não tenha assegurado o seu apoio.
Depois de obter a maioria absoluta no Parlamento regional, em setembro de 2015, os separatistas se comprometeram em preparar esta região de 7,5 milhões de moradores para se separar do resto da Espanha.
Para tal, contemplavam a implantação de instituições como um banco central ou uma secretaria da fazenda independente, à qual destinavam 48,5 milhões de euros neste orçamento.
Também queriam aumentar em 874 milhões de euros o gasto social com o objetivo de ampliar seus defensores entre a população catalã pois, apesar da ascensão nacionalista dos último anos, o separatismo não dispõe de uma maioria clara.
Uma vez perdida a votação, o governo terá que se conformar com a prorrogação do orçamento de 2015, com um nível de despesas mais limitado, e grande parte destas medidas não poderão ser aplicadas.
"Enfrentar o Estado (espanhol) com um orçamento prorrogado é como ir caçar elefantes com uma escopeta de chumbinho", disse Puigdemont.
Além de sua fragilidade parlamentar, o governo catalão é pressionado pela Justiça, que segue de perto seus movimentos de independência e o crítico estado de suas finanças.