O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, na Cidade do México, no dia 8 de janeiro de 2016 O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, na Cidade do México, no dia 8 de janeiro de 2016

O acrônimo que há décadas identificou a capital mexicana, Distrito Federal, desapareceu oficialmente nesta sexta-feira. Mas a rebatizada Cidade do México não muda só de nome, também de status: se emancipa do governo e adquire competências semelhantes aos poderes dos estados.

A capital mexicana terá sua própria Constituição e Congresso, poderá legislar em matéria de segurança e finanças, aprovar ou rejeitar reformas constitucionais ou receber milionárias ajudas federais que até agora eram proibidas.

O chefe de governo ou prefeito, que ganhará funções parecidas com as de um governador mas sem ter esse título, será o encarregado de nomear seu chefe de segurança e de polícia, e a capital poderá contrair dívida pública sem o consenso do Congresso Federal.

A transformação da cidade começa a se formalizar nesta sexta-feira com a promulgação da reforma política da Cidade do México por parte do presidente Enrique Peña Nieto e culminará em 2017 com a aprovação da nova Constituição.

Deste modo, a superpovoada e progressista capital mexicana estreia oficialmente a sigla CDMX, e avança o sinal para tornar-se uma nova "entidade federativa" do país e o 32° estado do México.

Longe vão os quase dois séculos de vida no Distrito Federal, a sede dos poderes federais, que foi inicialmente definida como "a praça principal e dentro de duas léguas" e chegou a se chamar também Departamento do México ou do Departamento do Vale do México.

Durante décadas funcionou como um apêndice do poder presidencial, que escolhia e destituía seus governadores ou regentes.

Foi apenas em 1997 que os moradores da capital elegeram nas urnas seu primeiro chefe de governo ou prefeito.

Desde então, a capital tornou-se um contraponto ao governo federal, já que sempre esteve nas mãos do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), que impulsionou leis pioneiras como a do aborto ou do casamento gay.

"O Distrito Federal foi perdendo autonomia ao longo dos anos e, entre 1940 e 1980, quando o Partido Revolucionário Institucional (PRI, Peña Nieto) foi completamente disciplinado em torno da figura do presidente, foi a etapa de maior controle da presidência", explica à AFP Nicholas Loza, pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

A reforma foi impulsionada pelo prefeito e candidato presidencial Miguel Angel Mancera, que venceu a eleição em 2012 sob a sigla do PRD embora seja considerado um "independente".

E, embora tenha sido uma batalha de anos, o projeto não deixou todos satisfeitos.

No centro da controvérsia está a Assembleia Constituinte que vai se estabelecer em junho: 60 de seus deputados são eleitos nas urnas, mas 40 serão nomeados: seis serão escolhidos pelo governo federal, seis mais pelo atual prefeito e 28 pelo Congresso Federal, onde Peña Nieto e o partido conservador Ação Nacional (PAN) têm um peso importante.

O novo estatuto da Cidade do México se destaca de manutenção Washigton DC (Distrito de Colúmbia) ou Brasília, que ainda dependem fortemente de seus governos.

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